Quem é esse cara?
Sou apenas um brasileiro de estatura mediana, gostei muito de uma Fulana que não quis rachar a conta no McDonald e sai fora; desocupado sênior, atento observador de "causos" incidentais, apolítico, agnóstico e amoral. Viciado em informação e simpatizante da teoria "escreveu e não leu, é analfabeto". Por enquanto é só. Quem souber de mais defeitos me avise.


Aos levianos...
Sei que o design tá fuleiro, mas "prestenção":
"Entendo mais javanês do que JavaScript."
e
"De muitas cores até um daltônico desconfia."

A música dos fatos
A cidade - em transe - transita
Transe transcendental
Galerias sem saida, ratos caminham por becos escuros
As noites? Não são mais meninas
Os dias? Não são mais livres, como nos tempos do rock and roll..

A cidade - em transe - transita
Transe transcendental
Fragmentos do trabalho colhidos antes do tempo
A escola? Não mais existe
O professor é nada no Planeta "Alienação"

A cidade - transa - a degradação
Num transe transcendental

Mas a liberdade floresce apagando os escombros
Do mundo ocidental...


26.11.05

A Idade do Burro - [ Uma teoria leviana ]

"Uma descoberta anunciada na revista Sciense muda a paisagem que se imaginava ser a dos dinossauros. Segundo o estudo de cropólitos (fezes fossilizadas) de répteis herbívoros que viveram entre 65 e 71 milhões de anos atrás, o capim já fazia parte do cenário e de sua dieta. A evidência anterior mais antiga de capim data de 55 milhões de anos, bem depois de os dinossauros terem sumido."
** ver a integra no Estadão, 18/nov/05, A-26, "O capim é mais antigo do que pensava, mostra estudo"


Sou fascinado por descobertas desse porte, não posso negar. Num repente a ficção é convertida em elemento cientificamente incontestável. A busca pelo inusitado segue uma estrada sem fim onde - de fato - tudo é possível. Todo louvor aos paleontólogos [ merecido, diga-se ], mas surge a dúvida: oras, se o capim é bem mais velho do que se imaginava, consequentemente o burro, seu devorador implacável, também! Não seria um burro contemporâneo, e sim milenar, percebe? E mais, nessas circunstâncias a idade do homo sapiens seguiria a mesma métrica, ou seja, o "homo burrus" estaria já qualificado - no mínimo - desde 15 mil anos atrás!

Aos burros, a grama! - uma das primeiras conclusões da civilização humana, comparando o homem burro ao burro teimoso que insistia comer só grama. Faz sentido, pois a burrice tem como essência não evoluir o pensamento, consistir a vida em mascar a grama, aquela única grama; nada mais. Interessante...

Em tese: "A sapiência humana, talvez, na era glacia tenha imaginado [ erroneamente ] que - não havendo mais grama - estaria livre daquele burro, o que não aconteceu. Veio o degelo, recomposição da fauna e flora [ e grama! ]. Percebeu, então, que a praga não era o burro, e sim a grama; concluindo que só um burro mesmo para gostar daquela maldita praga [ assim denominada por ter traido a primeira premonição humana ]".
Branco Martins

algo a declarar ? ...

15.11.05

O Triângulo da Viola - Considerações Finais [ Seção Casos e Causos ]

Pitoresco causo interiorano. Calhorda, eu sei, mas bem pesquisado... Quem descia de Campinas para comprar terra barata não achava a tal fazenda Jundiarí. Parava em Itupeva e - além de escutar a decoreba dos que nasceram com dois tabefes - era orientado voltar para Indaiatuba... A propósito, Indaiatuba se chamava Indaiatuba mesmo; vêm do dialeto ameríndio, Atuba e Indai: "manso demais de conta, não é mais fogoso" e "morar aí", respectivamente. Numa concepção mais contemporânea, digamos: "vá morar aí porque não é mais fogoso...". Vale frisar, embora não existisse pronome pessoal feminino [ quem dera a latinidade na América! ], enquadram-se no contexto as tupiniquins e os tupinicões, sem exceção... Ao menos no dialeto, é claro!

Enfim, o comprador tinha que voltar pra Indaiatuba; ver se alguém sabia da bendita fazenda... Sabia, sim; e explicava direitinho:
- Ó, moço... pega essa estradinha, vorta pra trais; passô a premera às esquerda cê vira às dereita e é só andá mais um tiquinho... É rapidinho...
- Ôxe, rapidinho nada!... [ retrucava o andarilho ]
- É sim!... Cê fica de ôio na praquinha escrito Fazenda Jundiarí.... é ai, tedeu?...

Passou-se um bom tempo até alguém comprar a terra do Véio Nojento. Muita gente tentou, é fato, mas tinha que chegar até Indaiatuba para saber o caminho certo, senão andaria o dobro de chão - por fim - desistindo da compra. Tantos passaram por Indaiatuba; tantas respostas rápidas. Na volta, passando por Itupeva os tantos perguntavam também onde era Jundiarí... Os Itupeniquins [ ficticio ou não, estava tudo misturado mesmo! ] não mais tão revoltados visto ainda existir fogosas por lá, respondiam mais rápido ainda: "é aí...". Não só o Véio Tonate sumiu. A Fazenda Jundiarí também! Passou a ser chamada de Jundiaí, a terra à venda que - vendida aos que, de fato, não desistiram de seus ideais - tornou-se uma bela e próspera cidade paulista.

Pouco importa se é caso ou causo, pois se trata da preservação do diálogo humano, da beleza interiorana, fora dos grandes centros. Lá, a viola caipira não é apenas objeto de causos. Lá nasceu contando estórias e histórias, cantadas em verso e prosa, ouvidas por quem exerce o "diálogo" [ coisa que a cidade grande abomina ]. Na penumbra do Jatobá existe moda de viola, sim; sem essa de globalização pelas FMs da vida. Valdinho teve dois sonhos convertidos em realidade: a viola caipira - embora hoje desconhecida - teve um dia o reconhecimento artístico, e o Nojento escafedeu-se; em suma, Valdinho morreu feliz. Isto é, naquela época! Hoje, se estivesse vivo, toda vez que ligasse o seu radinho de pilha aumentaria a lista de cramunhões estrangeiros. É... Aqueles que vem contar "causo ingrêis", cantando de um jeito que nem a gente entende.

** fictício ou não, sou andradinense e vos digo: o Rei do Gado não foi coisa só para a novela da Globo; não é um causo... Aconteceu lá em Andradina, sim senhor! E se alguém comprovar que estou mentindo "eu tiro o meu chapéu".
Branco Martins

algo a declarar ? ...

7.11.05

O Triângulo da Viola - Parte 5 [ Seção Casos e Causos ]

A controvérsia está sempre presente, portanto, alimenta os pesquisadores [ como eu ] imparciais. Quanto às terras amaldiçoadas do Véio Nojento, outrora a tão formosa Fazenda Jundiarí é o que pressupõe - os escritos, diga-se: cansado daquela vida maldita presenteada por Valdinho, foi embora o Véio Nojento. Partiu para Campinas; e de a pé. Dizem os tricôs que ele passou a ter medo da morte - principalmente da morte matada. Mandou matar tanta gente! Estava com o cú na mão se recebesse um troco justo. Importante frisar, além de constar nos autos, cú na mão não é mais palavrão [ fictício ou não! ]... Enfim, a Fazenda Jundiarí finalmente abandonada; uma casa mal assombrada. Cumpriu-se a praga do Valdinho - e também sua primeira promessa: "uma semana de pinguinha grátis no bar do Eustáquio". Tudo por sua conta. Festança e pinga de amigo; tudo de graça! Esperou, então, o término da farra para completar sua vingança. Com um embrulho debaixo do braço e um sacolão escorado no ombro esquerdo fez "o chamamento":
- Gente, o Nojento foi embora! Nóis qué devorvê o troco praquela enguia, num é? Só farta uma coisa pra fazê... Nóis vai lá, tudo junto, pra colocá ele nuns vinte parmo... Vamo lá... agora... pra nunca mais bota o pé naquela terra mardiçoada...

Segundo os registros, vontade todos tinham sim, mas e o embrulho e a sacola do Valdinho? Vai saber o que era aquilo! Na onda do vai-não-vai ele não pensou duas vezes. Levantou o topete:
- Ué?... Arguém aqui num queria vê o par de pé daquele danado levano ele pros quinto? Trato é trato!... Se ele já foi, nóis tamém... Ele que encontre otro inferno, e nóis tem que fechá as porta desse aqui, ôxe! E tem que sê agora, na hora da Ave-Maria, pra prendê os bicho feio... Arre! Vâmo, cambada...

Na cisma caminharam para terra maldita, desde que o mandante fosse o primeiro da fila. Mato fechado. Todos com lampião benzido. Poucos atenderam o pedido de Valdinho para a carpida em volta dos portões escancarados. Facão numa mão e rosário na outra, girando rápido:
- Tão pensando que vim aqui fazê o quê? Vamo, gente... Abre o caminho logo!

Com tudo mais ou menos limpo [ quem tem medo nada limpa ] veio o prelúdio do fim do conto:
- Agora é só comigo... Vai pra trais e baixa a luz, todo mundo! Cês vão vê cumé que se tranca o cramunhão...

A lua cheia mal mostrava o rosto. Medo é o que não faltava. Lamentos do urutau pareciam gargalhadas do coisa ruim, e tome correria! Valdinho descarregou da sacola seu martelo [ tinha de ser o dele ], pregos velhos, correntes e cadeado. Rápido como um tiro puxou os portões, acorrentou-os e - fechado o cadeado - jogou as chaves para o lado do diabo. Tremendo de medo a platéia ouvia as marteladas num escondido do embrulho. Por fim, o discurso vitorioso:
- Levanta os lampião, seus cagão! Deixa de mêdo besta e lê essa coisa... [ uma placa bem pregada escrito "vênde-cê!" ]

Aproveitando a escuridão um gaiato escondido perguntou:
- Vendo? ôxe, Valdinho! Cê que tá vendendo essa tranquera?
- Arre! Além de medroso, num sabe raciociná, hôme? [ puto da vida, explicou... ]
- Quem quizé comprá esse troço que vá atráis do Nojento! Aí quem sabe um doido vem limpá esse chão do cão!

Nem adiantava perguntar em Itupeva onde era a Fazenda Jundiarí... Naquela época, criança quando nascia recebia dois tabefes na bunda... É... No primeiro era pra gritar "buáááááááá"... Não gritou no primeiro tabefe é porque ainda tinha coisa do cramunhão, ou seja, mais um amaldiçoado herdeiro do Véio. Virava banquete para cachorros mansinhos. No segundo tabefe tinha que falar o consumado:
- Aqui num mora nenhum Véio Nojento!"...

Errando a frase de estréia seria mais um mentiroso. Morreria lá pelos 90 anos sem a posteridade de um conto crível. Nada mais que um falastrão; afinal, nem quando nasceu sabia que o tal Véio Nojento nunca morou por lá.
Branco Martins

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1.11.05

O Triângulo da Viola - Parte 4 [ Seção Casos e Causos ]

Rivalidades... Algo similar entre EUA e URSS na disputa pela lua, percebe? Inclusive, pergaminhos [ fictícios ou não ] encontrados em Tihuanaco falam sobre o primeiro Deus Asteca, de cor branca. Partiu pelo Pacífico dizendo a todos que voltaria logo. Bem, da curiosidade sempre vem uma tese... Quanto ao descobrimento do Brasil: um escandinavo pintou por aqui, ajudou na evolução do aborígine americano e, é claro, sacou que as moreninhas tupiniquins davam de mil nas branquelas européias [ com todo respeito, por favor! ]. A rota não deu certo e foi parar na Europa, exatamente em Portugal, onde ao seu único amigo, Henrique Gusmão, secretamente revelou a saga. Gusmão não só deu garantia no segredo como também guiá-lo para casa, afinal de contas, amizade é amizade [ melhor ainda se dividido um segredo! ] O tão endividado Gusmão e suas cuecas no chão:
- Ele quer voltar para Vallalha e meus negócios no vermelho... Nosso segredo, então, vai virar samba-enredo... [ concluiu ]

Justamente para não ser visto pelos credores, atravessou a Corte fantasiado de caravela, pedindo entrevista urgente com o "PortuRei":
- Pois, pois... O que tu queres, mal pagador de baratas?
- Excelência... Perdoe a dificuldade de pagar-lhe moedas há tempos emprestadas.
- Hum...
- Tenho um segredo não revelado, transmitido a mim por um grande amigo escandinavo... navegador...
- Oras, se o segredo te livrasse da forca... [ gargalhadas ]
- Oh, Realeza, não se trata de fofocas ou sombras da inveja! Apenas trago-lhe descobertas de um honrado amigo, já longe daqui, nas terras altas...

Sabia que - aos devedores, a forca; arriscou pesado:
- Meu rei terá o secreto caminho às novas terras em troco do perdão de moedas não devolvidas em tempo certo...
- Confiança? Conte-me, então, oras! Se justo, tua imediata partida para conquistar novas terras a este Rei será o perdão. Sempre pede réis, que empresto e nada devolve! Que por lá fiquem teus sete palmos...

Melhor isso do que a forca - pensou Gusmão. Dom João tentando engolir o conto quando, no relato das fogosas tão novas quanto as terras do conto, o Rei bateu asas! Era o galo bravo cuidando de suas fiéis. Ah, sim, conforme os escritos, acreditando na história [ que deixou de ser uma estória desconfiada ] João Dom não titubeou:
- Ficaste com o navio do amigo escandinavo?
- Sim... Uma gentileza, digamos...
- Pois, Gusmão. Desapareça de Lisboa! No dia de partida, esteja magro e definhado. Hoje declaro a Corte sua morte por fugir de impostos que deve há anos. Aberta a porta desta sala, dou-lhe dois dias para embarcar e sumir. A partir do terceiro, seu nome passa a ser Manuel Tonate, um desbravador em nome de meu reinado... Mas cuidado; caso primo Álvares descubra que tu és o famoso ladrão Gusmão, envia-me só tua cabeça! Além de não ter devolvido os réis cedidos, já morrido sujará meus tapetes?...

Isso explica porque Valdinho sempre quis matar o Véio Nojento. Um ladrão barato enxotado de Lisboa para a terra nova? Simples: o Reino, em si, teve culpa nenhuma, pois ladrão de lá, ladrão de cá! Só depois da CPI das Tupiniquins as providências para despachar o Gusmão foram tomadas.
Branco Martins

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Transeuntes
Absurdos Cotidianos
Autoria do Feminino
Balbúrdia
Brincando com Palavras
Candongas não fazem festa...
Canis Familiares
Coisas da Normandia
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Elucubrações Cerebrinas

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