Aos levianos...
Sei que o design tá fuleiro, mas "prestenção":
"Entendo mais javanês do que JavaScript." e
"De muitas cores até um daltônico desconfia."
A música dos fatos
A cidade - em transe - transita Transe transcendental
Galerias sem saida, ratos caminham por becos escuros
As noites? Não são mais meninas
Os dias? Não são mais livres, como nos tempos do rock and roll..
A cidade - em transe - transita Transe transcendental
Fragmentos do trabalho colhidos antes do tempo
A escola? Não mais existe
O professor é nada no Planeta "Alienação"
A cidade - transa - a degradação Num transe transcendental
Mas a liberdade floresce apagando os escombros
Do mundo ocidental...
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9.10.06
Como dia Galvão... Bem amigos! Se alguém tiver uma dica, falar mais javascript do que eu, essa coisa pifou... Já revirei tudo e, pelo visto, minha praia é javanês mesmo! Vou ler os recados, os comentários e a caixa sisplemente abre e fecha por conta própria, é mole?
Será que é porque citei algumas máximas eleitoreiras e, como vingança, detonaram meu blog?... Gozado é que não é só no meu, não... Qualquer blog que abro e a conspiração é a mesma: não posso nem deixar recados... Bom, continuo queimando o cérebro para resolver a pendenga... E se algum colega tiver uma idéia, putz, pago a cerveja!
Branco Martins -
algo a declarar ?
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14.9.06
A falcatrua que dá ibope [ o lado negro da democracia tupiniquim ]
Não é só a tv que deixa burro demais. O objetivo da mídia - como um todo - é justamente instaurar a burrice! Novelas idiotas, entretenimentos para o polvo, jornalismo parcial e por aí vai a canoa. Sem contar, é claro, os filmes, programas e propagandas made in fora do Brazil, com traduções no mínimo esdrúxulas. Alias, os artistas e cineastas amigos de Lula pouco se importam com isso, pois na visão deles qualquer fim justifica os meios como, por exemplo, financiar junto ao Governo, à preço de banana, suas produções medíocres. Quando não avacalham a estória contada, atacam de péssimo roteiro e imagem - raras exceções, diga-se.
E por falar em Lula, a mídia veicula - com pompa - sua esmagadora vitória! Pois bem... Embora do que ele nos prometeu nada foi cumprido - e muito menos será, a mídia garante a reeleição com base em pesquisas de opinião. Seria, então, uma opinião idônea, sincera? Creio que sim, pois a má-fé, em si, consiste no quanto essa opinião representa e não em que a declara.
Disse aqui várias vezes, sou péssimo em matemática. Por isso mesmo meu teclado tem o botão "calculator" e, assim, confiro qualquer conta. Quer ver? Segundo a mídia e os institutos de estatística, o candidato A ganharia folgado do candidato B, só que conferindo os números a falcatrua é flagrante:
- a opinião de apenas 2.100 pesquisados frente a 126 milhões de eleitores, ou seja, 0,0017% [ isso mesmo, zero virgula zero zero dezessete por cento ] é o suficiente para determinar antecipadamente o vitorioso - pasme!
Francamente, fatos como este justificam qualquer meio para instauração da burrice. Prova disso é o horário de propaganda eleitoral, por exemplo. Nele está caracterizada a primeira mentira porque não é gratuito. Como diria Debord, é sim espetacular! Eu estava em dúvida quanto ao candidato mais inenarrável: Dr. Enéas ou Eymael. Dúvida que aumentou! São Paulo, agora, tem novos candidatos comprometidos com inimagináveis ações políticas:
- Patrícia, do PRONA: vale o esforço, só que ela não supera o grito de guerra do Dr. Enéas! Alias, notou que ela mal consegue conter a gargalhada no final do discurso?
- Um tal de Banha, que nem sei o partido, e o Mancha - PSOL. Vos digo, caro net-leitor: um nome assim só vale para vereador! Eles não me enganam! Deputados e senadores com um nome desses mal saberão justificar os fins ou os meios do que propõem...
- PêdaSilva, isso mesmo, tudo juntinho... Também não sei o partido. Esse sim, quer ser político. Lembra da música Tô Pé da Vida, do Dominó? É o slogan dele: "sô pê da siiiilva, tchu-run-tchum-tchum... sô pê da siiiilva, tchu-run-tchum-tchum..."
Fala sério, vai...
Branco Martins -
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2.9.06
Voltando de Férias [ por conta própria ]
Isso mesmo... Férias por conta própria! Eu sei; não comuniquei com antecedência, o que fere a praxe e peço desculpas. Mas também, desde que me conheço como gente, é a primeira vez na vida que acontece; e que proeza! Até então a regra era básica: papel assinado, remuneração mais um terço, só vinte dias [ abono pecuniário é a salvação para os "comes e bebes" ], mapa atualizado em mãos, cronometragem de ida e volta, reserva de hotel ou até - por que não - contato com os parentes [ convenhamos, hotel de graça sempre é bem vindo ]; enfim, um organograma minucioso que garante a um assalariado - o que não é mais o meu caso - o pleno gozo de suas férias.
Jamais imaginei que sentir-se livre era tão marcante! Ou, talvez, o excesso de responsabilidade escravocrata, agregado à utópica insolência desde o fim da puberdade tenha obstruido esta percepção, tanto que a tal liberdade ampla, geral e irrestrita fica condicionada aos prazos sociais. E mais, sabemos disso e fazemos de conta que tudo não passa de alguma teoria de conspiração. Quando não por motivo de trabalho, buscamos diversas alternativas para justificar o prazo da liberdade. Sim, justificar. Para um bom convivio social o que não faltam são regras [ na maioria das vezes, estúpidas ]. Alias, questionar isso ainda é tabu, então, deixa para lá.
Alguns contos da viagem às terras onde quase nasci:
- Errar o caminho é legal pra caramba! Para quem o caminho é a noroeste paulista não é tão desastroso assim conhecer o sul de São Paulo;
- Primeiro dia da revolução PCC e as notícias [ lá ] foram devastadoras! Instauro-se o pânico coletivo. E no dia seguinte a história tomou outro rumo. Dos supostos tiros para todo lado, a única verdade verdadeira foi do gaiato que [ bêbado ] tentou pular o muro de casa para não acordar a familia. De onde ele buscou a inspiração eu não sei, mas caiu e se machucou feio. Resumindo, o PCC não passou por lá, coisa que a midia sabia muito bem e cumpriu seu papel desinformando a população, instaurando a paranóia geral para vender [ bem ] o factóide. Alias, marca registrada, diga-se;
- Finalmente ouvi, na integra, o melhor programa da rádio local: Balanga Beiço... Não! Não estou tirando um sarro! Por mais esdrúxulo que pareça, a cultura interiorana é extremamente criativa. Entre as fofoquinhas midiáticas estão as notícias reais da cidade, o que não acontece nas capitais;
- E falando em rádio, o negócio lá é a moda de viola. É claro, algumas estações arriscam o brega das metrópolis, samba eletrônico, pseudo-funk e "suúcessos", ficando restritas a um grupo, digamos, seleto. A maioria curte moda de viola mesmo, o que é sensacional. Lá não funciona o tal "world sertanejo", com guitarra, bateria, etc... Tem de ser duas vozes, uma viola, um violão e haja coração! Coisa linda! Já nos bares noturnos a praia é outra: MPB. Bons músicos com bom equipamento "ao vivo";
- Internet? Bem, a onda ainda não colou por lá. Tentei lan house mas o negócio é limitado, principalmente na configuração das máquinas. Linux/Firefox e não conseguia abrir vários blogs nem webmail. Pedi ajuda aos "experts" e ficou por isso mesmo: navegar ou entrar em salas de bate-papo. Simples. Mas também, por R$ 1,00 a hora, R$ 0,50 por hora adicional e quer mais o que, né?
Enfim, muita coisa para contar mas, antes, precido readaptar-me. No computador até que passa, só que essa internet-banda-largada é ruim demais!
Branco Martins -
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9.5.06
Delícias Culinárias...
Familia unida discute até a validade do peixe, sabia? Meu irmão, de fato, além de um bom cozinheiro, tem a paciência de Jó. Analisando o salmão do irmão, minha cunhada acionou sua sapiência culinária, divagando no preparo do peixe degustável [ quem saberá?! ]... Temperos à parte, duas observações chamaram minha atenção:
1 - A importancia de não tratar o peixe como ' peixe morto '. [ isso é fantástico! ] Ele, o peixe, está ali apenas descansando, e quem pode ou não matá-lo é a altura do fogo! Não importa se está bem temperado, tratado com carinho, etc, etc, etc, porque se errar a altura [ do fogo no fogão ] aí sim o peixe morre e o deguste é pura ilusão!
2 - Seria errônea a sugestão de peixe ser um prato nobre e plenamente diet por que ' sem gordura ', quando apenas pronunciado, sem uma leitura capaz de diferencia-lo, quer dizer ' 100 gordura ', ou seja, uma expressão literalmente numeral ! [ só para esclarecer, o simbolo percentual fica excluido pela falta de verbos ]
Quem não absorve informações desse porte precisa com urgencia curtir as ressacas do carnaval, pô! Não consegui fazer de conta que não prestava atenção... Logo eu, insano confesso, perderia essa oportunidade? Meu irmão afirmando que o importante é salpicar (...) Mas salpicar o que? O espaço em branco numa única ação revela o desejo secreto de cada um:
- muito sal, e picar tudo que for possivel para o deleite estomacal...
Sim, deleite estomacal; o gosto de tudo, sem ligth nem diet, que de tanto se fala e nada se sabe a respeito. Então, na hora do peixe ' 100 gordura ', o negócio é ' sal ' e ' picar ' - muito e tudo que estiver na mesa ao alcance dos olhos e dos faros, respectivamente.
Ditados da medicina ocidental afirmam que gordura - clinicamente defeituosa e maléfica - engorda a pança, sendo que a ociosidade nada tem de ver com isso ( sic ). É, a medicina ocidental e suas tratativas...
Branco Martins -
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28.4.06
Eles não sabem de nada...
Se alguém tiver contato com Hugo Chávez, por favor, avise que "herói do Brasil" é o Kid Vinil, pô! Além de ser um fanfarrão de primeira grandeza, Chávez aparece por aqui sem qualquer criatividade, roubando frases [ brasileiras ] há tempos bem cantadas; ou seja, ele não sabe de nada!
Alias, Kid Vinil é muito mais autêntico e criativo do que Hugo Chávez... Que saudade dos tempos do Verminose ... Durou pouco, eu sei, mas foi um nobre alimento para a cultura - à época - marginal. Mesmo quando o Verminose optou pelo estilo Magazine, irreverência é o que não faltou. Estou ficando velho, pois vejo nos anos 80 o último período proveitoso do rock brasileiro. Não era somente copiar a pegada lá de fora. O roqueiro brasileiro ainda podia criar novas tendências. E vale dizer, não se trata apenas de rock'nd'roll. Às margens do consumo efêmero e anticultural, em São Paulo [ Fábrica do Som, Lira Paulistana, Praça Benedito Calixto, Freguesia do Ó, Santana, Ipiranga e muito mais ] existiu um circuito onde o seleto do underground tupiniquim se manifestava: Ira, Camisa de Vênus, Ratos do Porão, Mercenárias, Plebe Rude; Arrigo Barnabé, Metalurgia, Sincro Jazz, Itamar Assumpção [ grande Itamar! ], Aguilar e Banda Performática, Zângoba... Puxa, "criadores de som" - de tantos, difícil relacioná-los. Na lembrança, uma certeza:
- danem-se as rádios porque havia espaço para todos.
O Língua de Trapo, então, expoente inesquecível. Comprava-se o vinil mais por uma ajudinha financeira aos "criadores" do que satisfação auditiva, afinal, seus clips ao vivo proporcionavam um magnífico orgasmo cultural. Televisão ou rádio não eram o suficiente, não despertavam o prazer. Era preciso estar lá, ao vivo, para sentir-se um coadjuvante daquele fabuloso manifesto sócio-cultural.
A cultura não é uma imposição linear, e sim um organismo cíclico passível de lapsos, de estagnações [ importante frisar ] periódicas onde nada de novo acontece. Por isso vos digo, caro net-amigo-leitor, ficai atento aos elementos cíclicos. Não bastasse um herói de araque inventando um novo herói para o Brasil, prepare o coração porque está chegando o fim da "crase". É, issso mesmo: Projeto de Lei 5.154, do também auto-heróico Dep. João Hermann Neto, extirpando o uso da crase na língua portuguesa [ do Brasil, diga-se ] sem qualquer aval da ABL, muito menos de gramáticos como o Professor Pasquale. De minha parte, fica aqui uma observação de Ignácio de Loyola Brandão (Estadão, 28/abr, Caderno 2), observação esta que ratifico plenamente:
- (...) estão tentando desfazer a língua portuguesa (que é desfeita em plenário todos os dias, todas as horas), começando por esta infâmia que é a crase. Martírio, agonia, tortura, padecimento, dissabor, desespero. A crase que é a principal causadora dos distúrbios que andam por aí: os sem-terra invadindo, os lucros dos bancos, a queda da bolsa, o aumento do preço do álcool, o crescente poderio dos camelôs, o trânsito congestionado, as filas no INSS, o PCC, os sequestros-relâmpago, o caos do transporte público, a degradação do ensino, o mau atendimento dos convênios médicos. A culpa de tudo? A existência da crase (...) E uma nova língua, que poderá ser denominada de Parlamentar em lugar de Portuguesa, como homenagem a esse grupo que tanto faz pelo Brasil, por nós, pela sociedade, pela moralização de usos e costumes.
Em suma, Kid Vinil é muito mais heróico em nossa cultura do que Hugo Chávez e Dep. Hermann Neto, sujeitinhos que pensam saber de tudo.
Branco Martins -
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18.4.06
De volta aos tempos de rebeldia
Tem dias que recaio na dúvida: " sou ou não ateu ? "... Puxa, não sou tão ignorante assim. E qual o problema de questionar qualquer primeira história, hein? A cada dia, temos como oportunidade o reconhecimento de novos valores através da releitura dos fatos! Pois bem, mais uma semana santa - dias santos [ sic ] - onde para se aliviar da dissimulação, do desaparecimento e da distância unilateral, busca-se o perdão temporário num ato pífio:
- presentear um transeunte acidental com um ovo de páscoa...
Sim; um presente, um abraço, feliz páscoa, felicidades e até o próximo feriado "santo" ! E dizem ainda que ser ateu é meu pecado capital... Oras, a releitura dos fatos é o bastante para compreender como os inúmeros recursos religiosos ofuscam a fé.
Primeiro, qualquer dogma busca regulamentar a fé; ou seja, somente cumprindo à risca a doutrina é possível obtê-la. Segundo, já regulamentado, o dogma [ líder ] se apodera do certo e errado - sua regra, e qualquer deslize do associado acarreta em " pecado pré-determinado " - senão expulsão daquela sociedade. Por fim, qualquer fato real que venha comprovar inconsistências no regulamento, por decisão do "líder" torna-se apócrifo, fictício.
Meu posicionamento seria, então, um pecado original ? De forma alguma questiono a fé, e sim a religião: regras, regras e mais regras, por si, contraditórias à releitura da história! Por exemplo, é impressionante a distorção entre o catolicismo romano e o cristianismo judaico. O que era " história " própria de uma região, de uma etnia, de uma sociedade específica converteu-se em " estória santa " para o mundo. Estória esta que - entre tantas barbáries registradas pela história (inquisição, pecados, as Cruzadas, dízimos, etc, etc, etc) - erradicou a fé dos ameríndios como garantia para seu objeto de desejo: a escravidão cultural.
Quer saber ? Esqueça tudo isso... Faça de conta que não leu... Isso não é coisa para discutir em blog, pô ! Importante frisar, não estou deprimido, triste, nada disso. Digamos, apenas vítima de flashs de rebeldia.
Branco Martins -
algo a declarar ?
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8.4.06
Acabou a brincadeira [ sic... ]
Em outubro passado lancei aqui uma tese:
- A coqueluche dos guardiões é subjugar o pobre mortal a um bucólico contentamento. Com isso a escravidão [ imposta pelas "autoridades" celestiais ] passa literalmente desapercebida. Tudo uma farsa! O bem e o mal; nada mais que leais comparsas.
Pois bem... Substituindo "celestiais" por "coloniais", e numa conotação mais popular ao bem e ao mal, "bonzinhos" e "malvados", respectivamente, não se trata de uma mera tese; e sim uma premonição! Aos olhos da imprensa estaríamos, então, contentes porque o espetáculo [ político, ao mesmo tempo, midiático ] atingiu seu objetivo:
- denúncias supostamente graves encaminhadas ao MP e PF, e acabou a brincadeira.
Ou seja, mesmo que ocorra investigação nada mais será divulgado, pois o objetivo agora é outro:
- retornar os pobres mortais a um bucólico contentamento.
Quem deduz meu pensamento como critica destrutiva - sinto muito - está enganado... O Brasil, neste momento, finalmente está aprendendo como funciona uma democracia contemporânea, como se exerce a livre [ e coerente ] expressão. E nesse ambiente de bate-boca entre os políticos e indignação dos cidadãos comuns, ambos deram conta, creio eu, do incontestável: " a lei vigente não passa de um calabouço colonialista ".
Papo de grego, eu sei. Após a leitura do relatório final dos Correios [ pasme, fiz download ! ], embora a enfadonha estética exigida por lei [ por isso mesmo colonialista ], não consegui contestá-lo. Torna público, com prova documental, crimes - por hora - permitidos pela lei de "vista grossa".
Bem sei que no início desse causo eu não dava fé, mas estou otimista sim! A sociedade política, calçada na praxe e hermenêutica deveras abusiva, ao desvendar o mistério ficou de queixo caído, entregue a uma única pergunta:
- como manter nosso regulamento político arcaico onde nada é crime ?
E a sociedade comum - em maioria, por fim, perdeu o receio de perguntar em voz alta:
- já que vocês podem assaltar os cofres públicos, roubar galinha é crime ?
Enfim, bons dias virão!
Branco Martins -
algo a declarar ?
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26.3.06
Milagres
Ironia ou não do destino, para nós - brasileiros - passados 35 anos e o milagre impossível permanece não só intacto, como também a todo vapor. No início desse tempo histórico, a maquiavelice militar se gabando de uma explosão econômica totalmente utópica.
No meio do caminho, depois de enorme "manifesto intelectual" [ sic ] comemorou-se uma tal liberdade, afinal, já era possível eleger livremente um presidente "livre" [ embora um corrupto menor, durou pouco ]. Com ou sem armas foram mantidos os milagres impossíveis; sem contar, é claro, o intocável corrupto maior, promessa do que não virá é o que não falta.
Hoje, de fato, vive-se uma liberdade um pouco mais expressiva, que numa concepção plena não existe; tanto que nos milagres consiste a soberba política, por exemplo:
- uma lei que não é justa,
- veiculação de programas pseudo-sociais justamente para esconder a falta de saúde, ensino básico e segurança,
- os "pares" obcecados pela carteirinha de "incassável",
- discursos festejando um orçamento faraônico para o que não será feito...
Ou seja, pura balela. Através da fala, no milagre curto "eu fiz o que jamais foi feito" substitui-se a verdade: "alguém fará e não é problema meu !", como, por exemplo, espionar o cidadão comum que ouse contestar [ ou denunciar ] atos ilícitos de qualquer político.
E nem venha me dizer que só o "Lula Paz e Amor" e seus amiguinhos sabem fazer isso. A única diferença é que - antes - a espionagem fria caía em cima de quem incomodava o sistema. Hoje é o contrário; basta saber de algo que incrimine até o baixo clero da máquina pública e, pronto: "está espionado !!!". Em suma, cuidado, hein? Tudo, menos questionar qualquer (des)governo.
Branco Martins -
algo a declarar ?
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10.3.06
Voltando...
Pois é, cá estou eu - de volta, bem no esquema "entre tapas e beijos" - eu e minha saúde; e lhes peço, amigos navegantes, perdoem minha ausência. Pelo menos tenho prova cabal: não internautei. Legal não é, mas quando a gente não tem muita escolha tudo acaba ficando mais tragável. O bom da história é que - além de não me tornar [ ainda ] um masoquista - não desanimo, afinal, em 2009, acaba a redução do coquetel tarja-preta e adeus, dias de altos e baixos! Estarei prontinho para voltar à esbórnia.
E por falar em esbórnia, descobri uma variante; uma esbórnia menor, digamos. Um acidente de percurso ocorrido com uma das minhas titias queridas. Veja que coroa liberal: estava em Andradina, na rodoviária, já com passagem comprada para voltar para Lins e lembrou ter deixado os doces na casa da irmã. Chamou, então, um tal moto-táxi para buscar rapidinho [ sacou a esbórnia menor? Idosos pegando moto-táxi ]. Pasme, no meio do caminho um motorista desavisado não percebeu que - para ele - aquela esquina não era preferencial. Acertou em cheio a moto - com tia e tudo! Doces e passagem de volta, adeus... É verdade, o "condutô" assumiu o vacilo no boletim de ocorrência e arcou com toda despesa hospitalar. Raridade, mas assim aconteceu. Em geral, a culpa é sempre jogada para cima do motociclista [ ou motoqueiro, ou moto-boy, ou moto-táxi, que seja ]. Alias, um acidente pitoresco. Como manda a regra em uma família grande [ unidos, e de certa forma, distantes fisicamente ], toca o telefone e a primeira frase:
- ... morreu !
Passado menos de uma hora, novo telefonema:
- ... ainda não morreu mas o caso é grave ( ... ) fraturas múltiplas e trauma craniano !
Ficamos preocupados, é claro, mas já prevendo o andar da carruagem. Dito e feito! Depois de algumas atualizações via relatório telefônico, a verdade:
- está sob sedativo para aliviar as escoriações, fissura no calcanhar e Deus abençoe o capacete !
Teve concussão cerebral sim. Ficou fora do ar por um tempo e - tirando a ralada na testa esquerda - sobrou dor por todo o corpo. Também, pudera, despencar de uma motocicleta sugere uma expectativa nada animadora.
Família é um negócio interessante. Como disse, fisicamente distantes, entretanto, munidos de um amor do tamanho do mundo. Fomos para lá, é claro, dar uma força para a super-titia. Eu precisava mesmo dar um pulo e veriricar com equipes médicas da região uma continuidade menos onerosa do tratamento. Seria mais conveniente essa viagem só para dia de aniversário ou festança natalina [ bom, pelo menos é isso que manda um comportamento socialmente correto ]. Mas, não! Como deixar a super-titia na mão, hein? Na verdade, não somos consangüíneos. Ela é esposa de um dos, digamos, tios de sangue, só que nas boas lembranças construídas pela infância, ela será sempre a super fada-madrinha. É claro, dava umas varadas de marmelo de vez em quando, alias, nada mais justo porque éramos infernais mesmo, mas nos tratava como "seus filhos":
- Comida, meninos!...
- Quem quer café da taaaaarde?!
- Oh, dó... machucou, filho? Vem cá que a titia tem um remedinho...
- Vem cá todo mundo! É hora de ver se tem piolho...
- Tome banho pra ficar bem limpinho, viu?
- Pára com isso senão vou ter que contar pra sua mãe e num vai dar certo, não acha? Titia não está brigando. Estou só avisando... Entendeu, né?
Embora sejam memórias da infância, nada mudou. Ela continua esbanjando carinho e amor aos garotos - hoje - de barba branca. Enfim, uma viagem prolongada e mais um fragmento de felicidade que merece ser guardado. Assim que cheguei, ao dar o abraço nem tive tempo para a primeira pergunta:
- Meu filho! Que bom te ver... Fiquei toda ralada mas quero saber... como você está, garoto? Já sarou? Fala sempre com o neuro? Me conta...Voce tem que ficar bom logo, viu?
Puxa, meu passado imaginava como uma frase piegas e, hoje, admito: o amor existe sim! E digo mais, não se pode descartar oportunidade como esta, impar, quando alguém lhe dá conta das proporções de um amor, sem usar de subterfúgio um contexto meramente banal, pois quem assim o torna prático desconhece o que é amar. De fato, é uma declaratória deveras introspectiva, reconheço, só que para mim é um bom sinal. Sinto-me quase curado do desafeto, fruto dos meus dias de vida fútil.
De resto, amigos, cá estou eu - ainda vivo! Em julho vem mais uma redução no coquetel Molotov, consequentemente, novos dias de altos e baixos. Como diria a Tiazinha, não é masoquismo; é Manépausa. Essa vida é muito louca! E veja como sou bem humorado: meu irmão pediu para ir até a prefeitura verificar se o inquilino estava pagando o IPTU em dia. Pois bem, um dos "presentes" da lesão é que não consigo mais falar tão rápido quanto penso. O atendendente ficou olhando para minha cara e, por fim, comentou com um camarada:
- Dá licença! Vem aqui, bêbado, só pra encher o saco da gente...
Olha, se ele foi ou não demitido eu não sei, mas exigi falar com o gerente e aí sim: cafezinho com atendimento vip. Não fiquei puto nem constrangido, afinal, a maioria vive de mentiras e preconceitos mesmo. Fiquei depois imaginando a exclusão imposta aos portadores de deficiencia física. Estes sim, devem passar por horrores. A sociedade precisa rever seus conceitos.
Branco Martins -
algo a declarar ?
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26.1.06
Mudei de idéia... Agora eu quero ser banqueiro!
Por mais que tente conciliar minhas manias e, quem sabe, construir um sucesso social, tem coisas que não dá para passar batido. Existe uma mania altamente lucrativa que [ infelizmente ] não foi criada por mim. Passado o trauma do inventário literalmente "inventável", já que não querem que eu venda o carrinho velho resolvi comprar um novo. Pois bem... Pesquisar o mercado, cotações, tudo é divino, tudo é maravilhoso; exceto para quem lê contratos na integra! Eu sei, não devia ter feito isso, mas paciência; eu e minhas manias. Tanta coisa boa para fazer, digamos, adular o carro novo, confiar e acreditar no vendedor [ e no prazo de entrega ], contar para toda família, viver a epopéia "faça você mesmo a sua nova garagem", etc, etc, etc; mas ler o contrato?
Veja só que negócio fabuloso: o rico banqueiro orienta o pobre bancário um belo e convincente discurso ao cliente de que tudo está resolvido, melhores taxas do mercado [ alias, sempre imbatíveis ], contrato rapidinho, "o Sr. é quem manda", crédito automático, débito em conta mas, pasme, com taxa de emissão de boleto bancário, é mole? E mais, uma clausula sobre isso totalmente subjetiva, ou seja, assinou e não leu, azar! O lucro deles está garantido: "cobrar o papel do débito automático sem papel". Estou traindo a gramática, eu sei, mas não tem outro jeito para decifrar o mistério. Há quem diga:
- Pô, uma merreca de R$ 3,00 por mês, um valor tão irrisório e você esquenta a cabeça?...
Mas aí vem a matemática dos velhos, regra de três. Oras, isso é barato para um, só que mil transeuntes nas mesmas condições é um lucro apetitoso - senão a usura financeiramente correta.
Consultei alguns camaradas. Queria para saber se perceberam a maracutaia quando compraram o deles. A resposta:
- O quêêeeee???!!!
Resumindo, realmente estou ficando velho, chato e cheio de manias. A propósito, visto não ter como alterar o tal "contrato honesto do banqueiro", a única alternativa do pobre bancário foi reduzir um bocado a taxa para compensar a cobrança do boleto "imboletável" e não perder o negócio. Pobre bancário. É claro, não fiquei irritado; afinal, negócios são negócios, amizade é amizade e por aí vai. Só que é uma tentação, não acha? Estava tão preparado para ser um "adêvogádu" e resolver a vida. Mas agora não. O mercado capitalista tem nichos bem mais lucrativos. Por isso mesmo mudei de opinião: "eu quero ser banqueiro!".
Branco Martins -
algo a declarar ?
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8.1.06
Eu quero ser advogado!
Manias, manias e manias. Duvido quem não tenha uma mania realmente significativa. Uma de minhas favoritas, por exemplo, é a posteridade de minhas paranóias; devidamente registradas no "diário digital de um aposentado". É claro, nem tudo lá anotado torna-se global, pois, queira ou não, egocentrismos pessoais raramente são divulgados por um simplório bloggeiro; ainda mais nos dias de computador pifado e cafajestagens da Tele(a)fonica. Numa premonição, digamos, por isso mesmo tenho ao lado caderno e caneta. Resolve até anotação de devaneios nos momentos de congestionamento "automotivo", sabia?... O assunto, em si, é atrasado, eu sei, mas a CPI dos Bingos ajudou bastante numa comparação pessoal. O depoente, um tal Sr. [ ou Dr? ] Walter Santos Neto, o "adêvogádu". A principio fiquei impressionado com seu super-emagrecimento, mas o assombro veio com o montante de seus honorários. No início causou estranheza, entretanto, desde o falecimento de meu pai insisto verificar com os "adêvogádu" o procedimento [ e custo ] para transferir todos os bens para minha mãe, através da renúncia dos filhos. Percebi que o tal Dr. Walter não é tão mentiroso assim. Advogados ganham bem mesmo! Explico:
- Os herdeiros abrem mão de uma herança, a União exigindo custas suportáveis [ algo em torno de R$ 1.000 ], e pasme, o honorário mais barato proposto foi de 10% sobre o valor venal dos bens. Uma pechinha porque a maioria pediu 10% sobre o valor de mercado! E mais; não querem o arrolamento de bens. Querem o inventário!
Ou seja, nem vendendo os carros vou ter dinheiro para pagar os honorários "adevogatícios". É isto que a Lei está oferecendo: "tenha muito dinheiro para garantir um merecido direito"...
A União está sendo até generosa, afinal, para o arrolamento, herdeiros recusando publicamante a herança transferindo todos os bens à tal meeira [ mãe, para leigos como eu ], exige de inicio perto de R$ 200, ficando o pagamento do tal "Itcmd" somente na finalização do processo. Já o "adêvogádu", não: "paga-me ou devoro-te!"... Sem contar o inexplicável: sugerem anular a renúncia, abrir o inventário e desistir do arrolamento. Oras, se não existem herdeiros, não existe a tal meeira, portanto, não há como partilhar bens! O arrolamento de bens é um dispositivo justamente para circunstâncias como essa. Em suma, por quê um honorário tão caro num procedimento tão simples? O importante, então, é complicar? Obrigar o contrário aos herdeiros que não querem herança? A Lei? Oras, a lei! Advogado quer ganhar bem, mas esclarecer [ que é bom], nada; ao contrário, devora!
Enfim, num raciocínio imparcial, percebi empresas do porte da Gtech disputando na Justiça "zeros à direita" bem mais significativos que os meus [ um brasileiro sem tanto direito e dinheiro no bolso ], ou seja, por mais gastador inveterado que seja o tal Dr. Walter, convenhamos, advogados ganham muito bem nesse Pais!... Quem dera ser sócio da Gtech e seus "camaradas"! Não passo de um reles aposentado inválido, por conseguinte, não vou ter dinheiro para pagar o arrolamento dos modestos bens da familia. De fato, os bens são modestos, mas os honorários, não. É uma situação triste, pois diversas famílias estão entregues à essa conduta "parcial". Desviar verbas públicas, tornar-se eleito ou até mesmo "bingar" - pelo visto - é bem mais fácil, barato e "impunível" do que a averbação não litigiosa de bens entre pais e filhos, concorda?... Sombras, Waldomiros e Cassáveis da vida estão por aí, tranquilos, encorpados por habeas corpus. Visto o inexplicável - muito bem "explicado" pelo Dr. Walter Santos Neto - e o intocável honorário para "inventariar" bens, boa hora para instaurar a CPI dos Honorários.
Puxa, herdeiros recusando herança... Precisa ser tão caro? É justo? O inventário, então, é para "inventar" honorários? Já que os advogados ganham tão bem em Gtech's da vida, por que aplicar a mesma regra para o cidadão comum? Até parece que todo brasileiro tem dinheiro sobrando! Sabe o que dá vontade? Comprar um cérebro novinho em folha, me livrar da esclerose e ser um advogado! Aí sim resolvo o [ meu ] interesse a preço de banana, deixando a rentabilidade por conta de inventários alheios. Francamente...
Branco Martins -
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1.1.06
Fim de um ano feliz
Oportunidade para dor de cabeça [ senão uma raiva incontrolável ] é o que não faltou, particularmente no fim do "ano ido" . Mas ainda vivo, conclui: Papai Noel realmente existe! Num balanço geral - a bem da verdade, um fabuloso inferno zodiacal: carro pifando na praça da matriz, Tele(a)fonica cortando linha jurando que não cortou, tremedeiras na redução de medicamentos, massacre no dentista, tv e aparelho de som sem 1 canal de áudio, pesquisa de comandos doidos e lá se foi meu computador, no espocar dos fogos para o ano novo tinha de tudo [ menos energia elétrica e telefone, apagaram em 2005, voltando lá pelas 4 da matina de 2006, dizem ], etc, etc, etc. Alias, uma típica história longa que não vale a pena comentar.
Agradeço aos net-amigos que deixaram recado e prometo a recíproca, afinal de contas, esse é o melhor presente do mundo: permanecer feliz! Tanto descalabro dos eleitos, desastres mundo afora, pseudo-humanitarismo global, guerras "santas" - e mediocres, tantos absurdos. Só que além de ser brasileiro, moro num Brasil onde o descalabro não consegue nos cercear a "felicidade". Nós, brasileiros, somos felizes por natureza. Tomara que 2005 tenha sido o último ano da supremacia dos tartúficos. Não merecemos um Brasil pérfido. E uma nação feliz pode facilmente torna-se responsável. Basta exercer o direito: identificado o falso, cabe à maioria [ por direito ] declara-lo banido da representação social.
A propósito, o carro já está consertado, chamei a polícia e a Tele(a)fonica parou de jurar [ consertava a linha ou eu abria B.O. de estelionato... foi esse o diálogo - de minha parte - amigável ], a saúde está melhorando, meu sorriso está quase lindo [ pasme, não perdi um dente sequer! ], e finalmente troquei de computador, oras... Fala verdade, quer algo melhor que isso, hein? Justamente após um silencioso dia de natal e um ano novo literalmente escuro, percebi que Papai Noel, de fato, presenteou-me dias felizes; difícil alegar o contrário. Um ano de maus bocados, eu sei, mas resolvidos sempre com bom humor, mesmo com a saúde às vezes vacilando. E cá estou eu, de volta à praia dos navegantes, aproveitando o embalo para desejar não apenas um mero natal, ou ano novo; ou carnaval, ou páscoa feliz, e sim "dias felizes".
Todo dia merece sorriso, abraço, cordialidade, flores, juras secretas e [ o principal ] "integridade". Portanto, desejo a todos "dias felizes" sem necessidade de feriados específicos.
Branco Martins -
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26.11.05
A Idade do Burro - [ Uma teoria leviana ]
"Uma descoberta anunciada na revista Sciense muda a paisagem que se imaginava ser a dos dinossauros. Segundo o estudo de cropólitos (fezes fossilizadas) de répteis herbívoros que viveram entre 65 e 71 milhões de anos atrás, o capim já fazia parte do cenário e de sua dieta. A evidência anterior mais antiga de capim data de 55 milhões de anos, bem depois de os dinossauros terem sumido."
** ver a integra no Estadão, 18/nov/05, A-26, "O capim é mais antigo do que pensava, mostra estudo"
Sou fascinado por descobertas desse porte, não posso negar. Num repente a ficção é convertida em elemento cientificamente incontestável. A busca pelo inusitado segue uma estrada sem fim onde - de fato - tudo é possível. Todo louvor aos paleontólogos [ merecido, diga-se ], mas surge a dúvida: oras, se o capim é bem mais velho do que se imaginava, consequentemente o burro, seu devorador implacável, também! Não seria um burro contemporâneo, e sim milenar, percebe? E mais, nessas circunstâncias a idade do homo sapiens seguiria a mesma métrica, ou seja, o "homo burrus" estaria já qualificado - no mínimo - desde 15 mil anos atrás!
Aos burros, a grama! - uma das primeiras conclusões da civilização humana, comparando o homem burro ao burro teimoso que insistia comer só grama. Faz sentido, pois a burrice tem como essência não evoluir o pensamento, consistir a vida em mascar a grama, aquela única grama; nada mais. Interessante...
Em tese: "A sapiência humana, talvez, na era glacia tenha imaginado [ erroneamente ] que - não havendo mais grama - estaria livre daquele burro, o que não aconteceu. Veio o degelo, recomposição da fauna e flora [ e grama! ]. Percebeu, então, que a praga não era o burro, e sim a grama; concluindo que só um burro mesmo para gostar daquela maldita praga [ assim denominada por ter traido a primeira premonição humana ]".
Branco Martins -
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15.11.05
O Triângulo da Viola - Considerações Finais [ Seção Casos e Causos ]
Pitoresco causo interiorano. Calhorda, eu sei, mas bem pesquisado... Quem descia de Campinas para comprar terra barata não achava a tal fazenda Jundiarí. Parava em Itupeva e - além de escutar a decoreba dos que nasceram com dois tabefes - era orientado voltar para Indaiatuba... A propósito, Indaiatuba se chamava Indaiatuba mesmo; vêm do dialeto ameríndio, Atuba e Indai: "manso demais de conta, não é mais fogoso" e "morar aí", respectivamente. Numa concepção mais contemporânea, digamos: "vá morar aí porque não é mais fogoso...". Vale frisar, embora não existisse pronome pessoal feminino [ quem dera a latinidade na América! ], enquadram-se no contexto as tupiniquins e os tupinicões, sem exceção... Ao menos no dialeto, é claro!
Enfim, o comprador tinha que voltar pra Indaiatuba; ver se alguém sabia da bendita fazenda... Sabia, sim; e explicava direitinho:
- Ó, moço... pega essa estradinha, vorta pra trais; passô a premera às esquerda cê vira às dereita e é só andá mais um tiquinho... É rapidinho...
- Ôxe, rapidinho nada!... [ retrucava o andarilho ]
- É sim!... Cê fica de ôio na praquinha escrito Fazenda Jundiarí.... é ai, tedeu?...
Passou-se um bom tempo até alguém comprar a terra do Véio Nojento. Muita gente tentou, é fato, mas tinha que chegar até Indaiatuba para saber o caminho certo, senão andaria o dobro de chão - por fim - desistindo da compra. Tantos passaram por Indaiatuba; tantas respostas rápidas. Na volta, passando por Itupeva os tantos perguntavam também onde era Jundiarí... Os Itupeniquins [ ficticio ou não, estava tudo misturado mesmo! ] não mais tão revoltados visto ainda existir fogosas por lá, respondiam mais rápido ainda: "é aí...". Não só o Véio Tonate sumiu. A Fazenda Jundiarí também! Passou a ser chamada de Jundiaí, a terra à venda que - vendida aos que, de fato, não desistiram de seus ideais - tornou-se uma bela e próspera cidade paulista.
Pouco importa se é caso ou causo, pois se trata da preservação do diálogo humano, da beleza interiorana, fora dos grandes centros. Lá, a viola caipira não é apenas objeto de causos. Lá nasceu contando estórias e histórias, cantadas em verso e prosa, ouvidas por quem exerce o "diálogo" [ coisa que a cidade grande abomina ]. Na penumbra do Jatobá existe moda de viola, sim; sem essa de globalização pelas FMs da vida. Valdinho teve dois sonhos convertidos em realidade: a viola caipira - embora hoje desconhecida - teve um dia o reconhecimento artístico, e o Nojento escafedeu-se; em suma, Valdinho morreu feliz. Isto é, naquela época! Hoje, se estivesse vivo, toda vez que ligasse o seu radinho de pilha aumentaria a lista de cramunhões estrangeiros. É... Aqueles que vem contar "causo ingrêis", cantando de um jeito que nem a gente entende.
** fictício ou não, sou andradinense e vos digo: o Rei do Gado não foi coisa só para a novela da Globo; não é um causo... Aconteceu lá em Andradina, sim senhor! E se alguém comprovar que estou mentindo "eu tiro o meu chapéu".
Branco Martins -
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7.11.05
O Triângulo da Viola - Parte 5 [ Seção Casos e Causos ]
A controvérsia está sempre presente, portanto, alimenta os pesquisadores [ como eu ] imparciais. Quanto às terras amaldiçoadas do Véio Nojento, outrora a tão formosa Fazenda Jundiarí é o que pressupõe - os escritos, diga-se: cansado daquela vida maldita presenteada por Valdinho, foi embora o Véio Nojento. Partiu para Campinas; e de a pé. Dizem os tricôs que ele passou a ter medo da morte - principalmente da morte matada. Mandou matar tanta gente! Estava com o cú na mão se recebesse um troco justo. Importante frisar, além de constar nos autos, cú na mão não é mais palavrão [ fictício ou não! ]... Enfim, a Fazenda Jundiarí finalmente abandonada; uma casa mal assombrada. Cumpriu-se a praga do Valdinho - e também sua primeira promessa: "uma semana de pinguinha grátis no bar do Eustáquio". Tudo por sua conta. Festança e pinga de amigo; tudo de graça! Esperou, então, o término da farra para completar sua vingança. Com um embrulho debaixo do braço e um sacolão escorado no ombro esquerdo fez "o chamamento":
- Gente, o Nojento foi embora! Nóis qué devorvê o troco praquela enguia, num é? Só farta uma coisa pra fazê... Nóis vai lá, tudo junto, pra colocá ele nuns vinte parmo... Vamo lá... agora... pra nunca mais bota o pé naquela terra mardiçoada...
Segundo os registros, vontade todos tinham sim, mas e o embrulho e a sacola do Valdinho? Vai saber o que era aquilo! Na onda do vai-não-vai ele não pensou duas vezes. Levantou o topete:
- Ué?... Arguém aqui num queria vê o par de pé daquele danado levano ele pros quinto? Trato é trato!... Se ele já foi, nóis tamém... Ele que encontre otro inferno, e nóis tem que fechá as porta desse aqui, ôxe! E tem que sê agora, na hora da Ave-Maria, pra prendê os bicho feio... Arre! Vâmo, cambada...
Na cisma caminharam para terra maldita, desde que o mandante fosse o primeiro da fila. Mato fechado. Todos com lampião benzido. Poucos atenderam o pedido de Valdinho para a carpida em volta dos portões escancarados. Facão numa mão e rosário na outra, girando rápido:
- Tão pensando que vim aqui fazê o quê? Vamo, gente... Abre o caminho logo!
Com tudo mais ou menos limpo [ quem tem medo nada limpa ] veio o prelúdio do fim do conto:
- Agora é só comigo... Vai pra trais e baixa a luz, todo mundo! Cês vão vê cumé que se tranca o cramunhão...
A lua cheia mal mostrava o rosto. Medo é o que não faltava. Lamentos do urutau pareciam gargalhadas do coisa ruim, e tome correria! Valdinho descarregou da sacola seu martelo [ tinha de ser o dele ], pregos velhos, correntes e cadeado. Rápido como um tiro puxou os portões, acorrentou-os e - fechado o cadeado - jogou as chaves para o lado do diabo. Tremendo de medo a platéia ouvia as marteladas num escondido do embrulho. Por fim, o discurso vitorioso:
- Levanta os lampião, seus cagão! Deixa de mêdo besta e lê essa coisa... [ uma placa bem pregada escrito "vênde-cê!" ]
Aproveitando a escuridão um gaiato escondido perguntou:
- Vendo? ôxe, Valdinho! Cê que tá vendendo essa tranquera?
- Arre! Além de medroso, num sabe raciociná, hôme? [ puto da vida, explicou... ]
- Quem quizé comprá esse troço que vá atráis do Nojento! Aí quem sabe um doido vem limpá esse chão do cão!
Nem adiantava perguntar em Itupeva onde era a Fazenda Jundiarí... Naquela época, criança quando nascia recebia dois tabefes na bunda... É... No primeiro era pra gritar "buáááááááá"... Não gritou no primeiro tabefe é porque ainda tinha coisa do cramunhão, ou seja, mais um amaldiçoado herdeiro do Véio. Virava banquete para cachorros mansinhos. No segundo tabefe tinha que falar o consumado:
- Aqui num mora nenhum Véio Nojento!"...
Errando a frase de estréia seria mais um mentiroso. Morreria lá pelos 90 anos sem a posteridade de um conto crível. Nada mais que um falastrão; afinal, nem quando nasceu sabia que o tal Véio Nojento nunca morou por lá.
Branco Martins -
algo a declarar ?
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